Segurança Predial é um assunto que está sempre em alta! Seja na rua, no carro, em casa ou dentro do condomínio, é preciso estar atento para minimizar ocorrências negativas. 

O especialista em Segurança Pública, Márcio Saraiva Carilo, afirma que uma das maneiras de se evitar assaltos – seja patrimonial, pessoal ou predial – é implementando medidas preventivas de segurança.

A partir do programa PIPDE – Procurar, Identificar, Prever, Decidire  Executar, utilizado há alguns anos por empresas automobilísticas e motociclísticas, Carilo criou um método exclusivo que pode ser implementado em condomínios.

A versão apresenta uma abordagem diferenciada para o setor de segurança, através da participação de todos os envolvidos no processo. “No caso de Segurança Predial é necessário ter em mente que o PIPDE só vai funcionar se houver engajamento integral dos moradores e colaboradores do prédio. E isso representa, muitas vezes, abrir mão de paradigmas e de um conforto pessoal em prol da coletividade”.

O programa pode ser aplicado em setores e quesitos como: portaria, público interno (moradores, colaboradores, síndicos e zeladores), público externo (entregadores, visitantes e parentes), áreas internas (comuns de circulação) e áreas externas (calçadas, estacionamentos e arredores).

Outro fator importante é a utilização de ferramentas de tecnologia da informação, como câmeras com gravadores, aplicativos e portões com senhas. “Em alguns bairros e condomínios, os moradores aproveitam aplicativos existentes para notificar qualquer atividade suspeita, dentro ou fora do prédio. Esse é um recurso extremamente eficaz”, explica o gestor de Segurança Pública.

Carilo destaca que mudanças restritivas ou preventivas podem gerar resistência por parte de algumas pessoas, mas a adaptação é necessária para alcançar o sucesso. “Depois de algum tempo, quando se observam os resultados e a produtividade, a aceitação se torna geral”.

Para o profissional, o morador tem papel fundamental no processo e deve estar atento a qualquer tipo de anormalidade. “São detalhes que, juntos, podem ser o grande diferencial. Por exemplo, ao ver pessoas desconhecidas paradas em áreas de circulação interna ou externa, ele deve avisar imediatamente a portaria ou zelador. Pode não ser nada, mas também pode ser uma tentativa de assalto. Na dúvida, é melhor agir”.

Carilo reforça que o trabalho de segurança preventiva não é fácil, mas é necessário se policiar dia a dia para não se tornar a próxima vítima. “Os preconceitos e o negativismo das medidas sempre existirão, por isso, cada morador deve ser um agente no combate desses fatores. Procure, Identifique, Previna, Decida e Execute sempre!”, finaliza.

Confira abaixo, 10 dicas importantes do PIPDE para o seu condomínio:

  1. Portaria com profissional focado, descansado e comprometido com o trabalho, pois é o primeiro elo do sistema de segurança. Cerca de 90% dos casos de ingresso de invasor ocorre nesse setor.
  2. Contratação de mão de obra qualificada e com recomendação. Aproximadamente 87% dos casos de roubos em apartamentos são devido à utilização de mão de obra não qualificada. Em alguns casos, são informantes que, mesmo trabalhando, repassam dados preciosos sobre o dia a dia dos moradores e a sistemática do condomínio.
  3. Visualização e verificação da área externa é responsabilidade do porteiro! Ao notar qualquer tipo de ação estranha junto ao condomínio, o síndico ou zelador deve ser comunicado para tomará as medidas cabíveis. No caso de chegada ou saída de morador, a pé ou de carro, ele também deve identificar possíveis agressores.
  4. Entregas e serviços: o morador deve avisar a portaria sobre encomendas ou qualquer tipo de serviço interno terceirizado. O porteiro deve estar informado sobre esta demanda porque minimiza casos de falsas entregas ou serviços, não expondo a portaria a entradas forçadas. Quando o mesmo não for informado, deve se certificar de que a entrega ou serviço é verdadeiro através de ligação interna ou externa para o condômino.
  5. Uso correto dos portões para pedestres e do controle de garagem: observar o fechamento do portão para se certificar de que, ao entrar, não gerou oportunidade para que pessoas estranhas ingressassem na sequência. No caso da garagem, deve se optar por fechá-la sem utilizar o timer do controle.
  6. Iluminação das áreas de circulação comum– estacionamento interno e externo, corredores e acessos às portarias – e manutenção física das cercanias do condomínio: verificação frequente do funcionamento das lâmpadas e cercas eletrônicas, poda de árvores em dia, construções de alvenarias, como muros e grades, entre outros.
  7. Colocação de câmeras em lugares remotos, e não apenas nas entradas e saídas, e de lâmpadas com sensor de presença em lugares mais ermos do condomínio.
  8. Fornecer o mínimo de dados estratégicos relacionados à segurança do condomínio para pretendentes a morador ou visitantes. O sigilo é o maior trunfo das medidas preventivas da segurança.
  9. O síndico ou o zelador deve realizar reuniões periódicas para definir estratégias de segurança a serem adotadas, identificar riscos, determinar medidas que o condomínio deve tomar para prevenção e avaliar resultados.
  10. Criação de uma comissão para definir metodologias de segurança, possíveis executores e, quando necessário, atuar nos casos de intervençãose houver algum problema.

Fonte:

Márcio Saraiva Carilo

Especialista em Segurança Pública